O CANTOR
O CANTOR
Para se tornar um cantor, é fundamental desenvolver habilidades vocais por meio de prática e estudo. O primeiro passo é investir em aulas de canto com profissionais qualificados, que ajudam a aprimorar técnicas, como afinação, projeção e controle da respiração
Talento musical está relacionado mais ao DNA do que a prática, aponta estudo
Pesquisadora sueca relata a exigência de “genes específicos” para ampliar habilidades musicais
Catharina Morais
06/08/2023
Talento musical está relacionado mais à DNA do que à prática, aponta estudo.
O talento musical é genético?
Há fortes argumentos que sugerem essa probabilidade.
Publicado na revista Psychological Science, um novo estudo, de autoria de Miriam Mosing, do Instituto Karolinska (Suécia), revelou que existe uma correlação entre talento musical e hereditariedade.
A pesquisadora criou uma teoria onde buscava comprovar que características genéticas específicas podem auxiliar na capacidade de se tornar um verdadeiro mestre da música.
Para chegar a essa conclusão, Mosing comparou milhares de gêmeos idênticos e fraternais para entender se existia diferença quando o exercício da prática melhorava a capacidade de uma pessoa detectar mudanças na melodia, afinação e ritmo.
No decorrer do estudo, a equipe sueca examinou 1.211 pares de gêmeos idênticos (que compartilham todos os seus genes) e 1.358 pares de gêmeos fraternos (que compartilham metade dos genes), nascidos entre 1959 e 1985. Cada participante foi questionado se tocava um instrumento musical ou se cantava e, se sim, quantas horas por semana eles praticavam em suas diferentes idades.
Quem não tocava nada ou não cantava ficava com a pontuação zerada.
Em seguida, Mosing testou as habilidades musicais de cada um com alguns testes de melodia, afinação, sensibilidade e ritmo. O que chamou a atenção dos pesquisadores foram os resultados: eles mostraram que o gêmeo que praticou mais do que o seu irmão geneticamente idêntico não pareceu ter melhores habilidades musicais.
Isso não quer dizer que a prática não tem valor.
Tocar e cantar são habilidades físicas que levam um longo período para serem dominadas. Mas, segundo a análise dos resultados que os suecos obtiveram, aqueles que têm um componente genético relacionado à alta capacidade musical pode contar com a probabilidade de conseguir se desenvolver musicalmente de forma mais fácil.
A intenção de Mosing é continuar aprofundando ainda mais a pesquisa, já que a sua hipótese não foi refutada.
Na indústria fonográfica, é possível ver diversos casos de famílias com um talento musical geracional – astros como Nat King Cole, Frank Sinatra, Michael Jackson, Whitney Houston, Bob Marley, Beyoncé e Miley Cyrus têm parentes abençoados com vozes tão fortes quanto a deles.
E, até se voltarmos muito na história da música, para 1700, é possível identificar casos como o do compositor e músico clássico Johann Sebastian Bach, que nasceu numa família de longa tradição musical e que o talento continuou atravessando dezenas de gerações e ramos de árvores genealógicas após ele.
OS PÁSSAROS COMPREENDEM A MUSICA?
história de como os pássaros cantam
Nem todas as aves cantam. Nem todos os passarinhos aprendem a cantar. O fantástico mundo sinfônico das aves e como os ruídos urbanos o impactam
Uma das aves comuns nas cidades é o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), famoso por sua cantoria.
É fácil falar sobre aves, sobre passarinhos, e deixar que nosso pensamento voe para o imaginário das sinfonias melódicas que elas espalham pelo ambiente. Sem dúvida, o canto das aves é uma de suas características mais marcantes: chama a atenção, preenche espaços e nos toca de um jeito profundo. Muitas vezes, nem precisamos vê-las: basta ouvi-las para saber que estão ali, bem pertinho da gente.
Essa magia sonora, no entanto, vai muito além do encantamento. Ela também é extremamente importante para a Ciência. A área que estuda a comunicação acústica das aves – e de outros animais – chama-se bioacústica e tem muito a nos ensinar. Por meio dela, conseguimos investigar padrões e variações de sons, descrever cantos, reconhecer notas, entender como o ambiente influencia a comunicação animal e, principalmente, inferir como as aves estão se adaptando a um mundo em constante mudança.
Mas, afinal, como uma ave canta? Falamos tanto sobre o canto, mas como esse som nasce? As aves possuem um órgão específico para a vocalização chamado siringe. Localizada próxima à traqueia, a siringe tem formato de um Y invertido e é composta por músculos que controlam a passagem do ar, permitindo a emissão de sons. Cada espécie possui uma siringe com características próprias e, por isso, carrega também uma capacidade sonora única: um conjunto particular de sons que consegue produzir.
E isso é fascinante. Sabemos que algumas espécies são capazes de imitar o canto de outras aves, como o sabiá-da-praia (Mimus saturninus). Ainda assim, há uma limitação acústica imposta pela própria siringe, o que faz com que a imitação nunca seja exatamente igual ao som original. O mesmo acontece com aves que imitam a fala humana. Mesmo quando um papagaio “fala” (entre muitas aspas, já que não há semântica, apenas reprodução sonora), conseguimos perceber diferenças no tom, nas notas e na forma como o som é produzido. A siringe, afinal, define os limites dessa produção acústica.
E sempre que falamos sobre vocalizações, surge a pergunta: toda ave vocaliza? Apesar de essa ser uma característica tão associada às aves, a resposta é não. Nem todas as aves possuem siringe. Urubus, emas e avestruzes, por exemplo, não têm esse órgão. Por isso, não produzem vocalizações complexas nem melódicas. Em vez disso, emitem apenas pequenos bufos, a simples passagem de ar pela traqueia.
Escutar as aves cantando, mesmo em grandes centros urbanos, certamente é um motivo de alívio para a rotina corrida que enfrentamos nos dias atuais. Mas é claro que a urbanização e esse ambiente em constante mudança também afeta as aves.
Uma constante que podemos observar em ambientes urbanizados, sem dúvida, é o ruído urbano. Esse ruído é produzido majoritariamente pelo funcionamento da cidade: tráfego de carros, de pessoas, máquinas, indústrias… E esse ruído traz muitas consequências tanto pras aves quanto para outros seres sujeitos à sua ação. A exposição a longo prazo pode nos levar a desenvolver problemas de audição, síndromes hipertensivas e até distúrbios do sono.
No caso das aves, essa exposição leva a outro problema: o mascaramento acústico. Apesar de ouvirmos o canto das aves e acharmos que eles são “finos” e “agudos”, a realidade é que esses cantos são emitidos em uma frequência relativamente baixa, o que passa a ser um problema nas cidades porque o ruído urbano também é de baixa frequência, porém com uma intensidade muito maior. Por ser mais intenso, esse ruído acaba sobrepondo o canto das aves, e o mascarando, impedindo assim que elas consigam se escutar e se comunicar adequadamente.
Mas por que então, as aves continuam cantando nas cidades? É aí, meus amigos, que as aves mostram que elas não vieram pra brincadeira! As aves já começaram a se adaptar a esse ambiente e a essas pressões, outrora desconhecidas, e essas adaptações podem ser muito interessantes.
A estratégia utilizada pelos sabiás em grandes centros urbanos como São Paulo foi a de começar a cantar bem mais cedo, às 4h da manhã. É comum o dia começar a amanhecer e ouvirmos as aves cantando, né?
Mas nesse caso, os sabiás começam a cantar antes da cidade acordar e começar a fazer todo aquele barulho. Dessa forma, elas driblam o pico da emissão do ruído urbano, conseguindo ser ouvidas, mesmo numa cidade tão grande, movimentada e ruidosa como São Paulo.
O mais clássico dos cantores das cidades, o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus). Foto: Carlos Simoni/CC BY-NC-SA 2.0
Outra adaptação que podemos observar que as aves são capazes de fazer pra evitar esse mascaramento acústico é conhecida como plasticidade vocal. Nesse caso, as aves aumentam a frequência do seu canto, modulando-o para ficar acima da faixa de ruído, assim não há a sobreposição entre o canto e o ruído urbano. E as aves podem selecionar notas dos seus cantos que, naturalmente, estão acima da faixa de ruído ou modular o canto para aumentar a sua frequência mínima.
O ruído também pode afetar o processo de aprendizagem do canto… Mas, antes de falarmos sobre como isso acontece, vamos falar sobre a aprendizagem em si. O primeiro ponto muito importante a ressaltar é que nem toda ave aprende a cantar. Algumas têm a sua vocalização como algo inato à sua espécie. Entre as aves que aprendem suas vocalizações temos: os psitacídeos e cacatuídeos (Psittaciformes); Trochilidae, que são os beija-flores (pois tem gente que nem sabia que beija-flor vocalizava, e olha os bonitos não só cantando como aprendendo também!); e os passarinhos (Passeriformes).
E essa capacidade de aprendizagem é o que vai dividir a ordem dos passarinhos em dois grandes grupos: aqueles que aprendem a cantar e aqueles que têm o canto inato. Os suboscines são espécies que têm canto inato; ou seja, mesmo que um filhote seja isolado do convívio com adultos que possam ensiná-lo o canto típico, ele vai saber cantar. Nesses casos, os cantos são mais simples, menos complexos e apresentam pouca variação.
Um ótimo exemplo de espécie suboscine é o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) que tem seu canto bem característico composto por 3 notas, que podem variar em sua combinação, mas ainda assim se mantêm as mesmas. Já os oscines aprendem a cantar e os machos, durante a sua infância, precisam de um macho da sua espécie cantando para ensiná-lo o canto da sua espécie. É realmente uma relação de tutor e tutorado, onde aquele filhote vai aprender de acordo com o que ele está ouvindo.
Essa capacidade de aprendizagem leva os oscines a ter cantos normalmente mais complexos, com diversas combinações, muita variação e até mesmo assinaturas vocais, que ocorrem quando um macho cria uma combinação de notas pra chamar de sua. Um bom exemplo de uma espécie oscine é o curió (Sporophila angolensis). Seu canto é bem complexo e varia bastante!
Agora voltando pro caso do ruído e da aprendizagem do canto por esses oscines… O que acontece é muitíssimo interessante: para aprender a cantar esse jovem oscine precisa ouvir o seu tutor cantando. E precisa também se ouvir para ajustar as vocalizações que ele está emitindo para que se assemelhe ao canto que ele está ouvindo. O ruído pode afetar esse feedback auditivo que é muito importante nessa fase de aprendizagem, assim aquele juvenil não conseguirá fazer todos os ajustes necessários para que seu canto se assemelhe ao canto do seu tutor.
O cantante curió.
Além de estarem sujeitos ao ruído, esses jovenzinhos também estão ouvindo muito mais cantos além do de seu tutor. Cada ambiente tem a sua paisagem acústica, composta pelos sons emitidos ali, como o ruído urbano, os cantos de aves específicas de cada localidade e os sons de outros animais… Tudo isso compõe a paisagem acústica de um lugar.
A paisagem acústica aqui de Salvador, de onde escrevo, é composta pelas espécies de aves, anfíbios, mamíferos que ocorrem aqui junto ao ruído urbano típico (que tem um pouco de barulho do mar envolvido também). Dessa forma, um jovem oscine que cresça aqui em Salvador vai ouvir tudo isso enquanto aprende a cantar. E se um jovem oscine, da mesma espécie, aprender a cantar em meio a Belo Horizonte, por exemplo, ele estará sujeito a uma paisagem acústica completamente diferente. E isso é muito interessante porque as aves não aprendem apenas o canto do seu tutor, mas também são afetadas por todos os sons que as cercam durante esse processo.
O que nos leva a um fenômeno muito legal nas aves que são as variações regionais. As aves vão cantar de formas diferentes em diferentes regiões e cada lugar possui o seu dialeto. Ou seja, as aves, assim como nós, têm sotaque!
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FONTE....
https://oeco.org.br/analises/passarinho-que-som-e-esse-uma-historia-de-como-os-passaros-cantam/
Meditação...
1 Coríntios 14: 6.
E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?
7. Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara?
8. Porque, se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?
9. Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis como que falando ao ar.
10. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação.
11. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim.

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