ARGUMENTO

ARGUMENTO.


Visão geral 

Um argumento é um conjunto de ideias usadas para defender, justificar ou refutar um ponto de vista. Seu objetivo principal é convencer ou persuadir alguém por meio da lógica, coerência e evidências, sendo a base de redações, debates e da comunicação em geral. 


Um argumento lógico-formal costuma ser dividido em três partes essenciais: 

  • Premissas:As informações, dados ou fatos que servem como base e justificativa. 
  • Raciocínio:A conexão lógica que liga as premissas à ideia principal. 
  • Conclusão:O ponto de vista ou tese que o argumento tenta provar ser verdadeiro. 

Principais Tipos de Argumento 

Para enriquecer textos (como dissertações) ou debates, você pode utilizar diferentes estratégias: 

  • Argumento de Autoridade:Utiliza citações de especialistas, pensadores ou instituições de referência na área para dar credibilidade à sua tese. 
  • Argumento de Exemplo:Traz casos reais ou fatos concretos ilustrativos que comprovam a sua ideia. 
  • Argumento de Prova Concreta:Baseia-se em dados estatísticos, pesquisas, leis ou documentos históricos para tornar a afirmação irrefutável. 
  • Argumento por Causa e Consequência:Apresenta as origens (motivos) e os impactos de um determinado problema, justificando o porquê de uma conclusão. 

Para entender a fundo a construção lógica e a aplicação prática dessas estruturas, consulte o 💁‍♂️portal educacional Significados.



Resumo

Este artigo busca discutir o conceito de argumento, alvo de considerável controvérsia no âmbito dos estudos da argumentação. Nosso objetivo central é apresentar uma contribuição a esse debate a partir de uma proposta unificadora e integradora orientada pela seguinte definição: o argumento é uma unidade de fundamentação de uma resposta a uma questão argumentativa. Com base nessa definição, procuramos, então, discorrer sobre as propriedades do fundamentar, propondo que tal processo possa ser delineado a partir de três operações: a operação lógico-inferencial de atribuição de plausibilidade à tese, que articula a noção de argumento à noção de esquema argumentativo em termos de uma relação tipo-instância; a operação retórica de geração de influência, que incorpora a discussão em torno de comprometimentos e acordos ao modo de funcionamento do argumento; e a operação dialética de deslocamento do ônus da prova para o outro, que conecta a realidade racional à interacional e intertextual. 


Cada uma dessas operações é discutida do ponto de vista teórico e operacional, destacando categorias relevantes de análise para dar conta desse conjunto. 

Main Text

Introdução

Nos últimos vinte anos, temos testemunhado nos estudos da argumentação uma série de esforços – crescentes e, inclusive, descentralizados – de construir formulações teóricas e modelos de análise que primam por um olhar integrador, em vez do olhar fragmentado que caracterizou, inicialmente, o renascimento do campo na segunda metade do século XX, marcado por rígidas divisões entre perspectivas lógicas, retóricas, dialéticas e, mais recentemente, linguísticas. Podemos flagrar tal empreendimento na Pragmadialética neerlandesa (van Eemeren, 2010, 2018), na Teoria da Argumentação no Discurso franco-israelense (Amossy, 2018), no Modelo Dialogal francês (Plantin, 2008) e no Modelo de Análise (em Níveis) do Texto Argumentativo argentino (Padilla; Douglas; Lopez, 2011), dentre outros. No Brasil, esses esforços também têm se intensificado, ainda que não tenham gerado ainda uma teoria ou um modelo consolidado de fato.


Este artigo busca, então, concretizar um passo nessa direção, propondo uma discussão sobre o conceito de argumento– o que envolve necessariamente o debate sobre uma noção correlata, a de esquema argumentativo– a partir da perspectiva integradora com que temos trabalhado no Projeto DIA – Discurso, Interação e Argumentação em Mídias Digitaisna Universidade de São Paulo, que entende a argumentaçãocomo uma prática sociossemiótica complexa com propriedades lógicas, retóricas e dialéticas. Por conseguinte, entendemos que qualquer recurso argumentativamente relevante precise ser descrito a partir de tais propriedades, considerando o peso de cada uma delas – não necessariamente equivalente, dada a diversidade de gêneros discursivos e diálogos argumentativos e a variabilidade situacional – nas práticas discursivas em que a argumentação se manifesta. E é exatamente essa a discussão que visamos promover neste artigo, mostrando de que forma o argumento, como uma unidade de fundamentação de uma tese, põe em ação operaçõeslógico-inferenciaisretóricasdialéticasindiciadas pela construção sociossemióticado enunciado, que envolve coerções e condicionamentos contextuais, cotextuais, interacionais, sociocognitivos e discursivos.

Organizamos o artigo da seguinte forma: na primeira seção, discutimos a perspectiva integradora que tem guiado nossos trabalhos com argumentação nos últimos anos; na segunda seção, além de introduzirmos o texto que servirá de base para a discussão teórica, apresentamos nossa hipótese sobre o funcionamento do argumentoe, em subseções distintas, realizamos um debate sobre o potencial lógico-inferencialretóricodialéticodo argumento, sempre em diálogo com a análise do texto-base; na terceira seção, tecemos considerações finais que, além de sintetizar a discussão, apresentam a consolidação de uma proposta integradora da relação entre esquema argumentativoargumento; por fim, arrolamos as referências bibliográficas.


1 A argumentação a partir de uma perspectiva integradora

Partimos dessa elaboração de Ralph Johnson, um dos pais do campo da Lógica Informal, em seu importante livro Manifest Rationality,para dirigir a atenção para o seguinte fato: a argumentaçãoconsiste em uma atividade realizada semioticamente e inscrita em dadas configurações históricas e socioculturais – e, como toda prática que envolve a correlação entre o semiótico e o social, não está livre de um regime de coerções que estruturam suas formas de manifestação concreta, como bem explana Fairclough (2003), dentre outros pesquisadores dos estudos do discurso.

Isso quer dizer que essas distintas configurações incidem, direta ou indiretamente, (i) nas formas pelas quais construímos, enquadramos, mantemos, alimentamos, gerimos e resolvemos conflitos de opinião; (ii) nas maneiras pelas quais apresentamos nossas posições no âmbito desses conflitos e usamos as distintas modalidades (semióticas) para ealiza-las e para blindá-las diante da crítica do outro, bem como para questionar e atacar as posições e as razões oferecidas pelo outro; (iii) nos modos pelos quais nos valemos de distintos recursos, calcados em quem somos (ou aparentamos ser), nas disposições afetivas dos outros e nos padrões de raciocinar argumentativamente compartilhados (por nossa sociedade e pelos grupos aos quais nos filiamos) para influenciar o outro e o curso da interação; e, por fim, (iv) na seleção dos padrões de raciocínio avaliados como pertinentes para tornar uma posição plausível. 


Em outros termos, o dialético, o retórico e o lógico estão todos correlacionados a uma fundação social e semiótica – e essa é a primeira das premissas fundamentais de nossa abordagem integradora. Amossy (2018) parte de princípio similar, e a convocação para um olhar antropológico sobre o argumentar, estimulada recentemente por Tindale (2021), vai na mesma direção. Ambos os autores são, nesse sentido, claramente inspiradores para a nossa perspectiva.

Nós argumentamos porque a experiência humana é diversa e fundamentalmente intersubjetiva, envolvendo distâncias – para usar a metáfora de Meyer (2007) – entre as nossas formas de pensar, de ver, de sentir e de agir e as dos outros, que precisam ser constantemente negociadas para que consigamos dar continuidade à vida social (o que não significa plena estabilidade, mas um jogo complexo entre estabilidade e dinamicidade, reprodução e transformação). O “outro” é, portanto, um elemento fundamental da constituição da argumentação – não é despropositada, portanto, a relevância atribuída ao auditório em tantas perspectivas sobre o argumentar (Amossy, 2018; Bitzer, 1968; Perelman; Olbrechts-Tyteca, 1996[1958]; Tindale, 2015; van Eemeren, 2010). É para ele que explicitamos a plausibilidade de nossa posição; é ele quem influenciamos; é com ele que gerimos nossa diferença de opinião; é com ele que nos (des)afiliamos em termos de uma comunidade de preferências, crenças e valores. E esse é nosso segundo princípio fundamental de trabalho – a argumentaçãocomo uma atividade intrinsecamente intersubjetiva.


Toda essa formulação inicial, que parte de um diálogo entre diferentes tradições de pensamento nos estudos da argumentação e uma perspectiva sociossemiótica sobre a linguagem, é fruto de uma tendência contemporânea de buscar diluir fronteiras entre os distintos campos disciplinares que se debruçam sobre o argumentar, como apontamos na introdução. Chegamos a um tal momento na área que, embora ainda sejam relevantes os aprofundamentos particulares a cada perspectiva, já é possível – e inclusive desejável – articularmos, com os devidos cuidados, conceitos, métodos e interesses dessas distintas perspectivas para um olhar mais holístico sobre as práticas argumentativas.

Logo, entendemos como produtivo enquadrar a argumentaçãoa partir de suas propriedades sociossemióticadialéticaretóricalógica. Por razões de espaço, apresentaremos sinteticamente a forma como temos trabalhado em nosso projeto de pesquisa com essa ideia; para detalhes, cf.Gonçalves-Segundo (2023a).

Dentre todas as referidas propriedades da argumentação, começaremos da sociossemiótica, dado que é a mais complexa, por comportar três subpropriedades: a semiótica, a discursivae a interativa.

A subpropriedade semióticaaponta para o incontornável fato de a argumentação, materializada textualmente na vida social, ser realizada pela combinação de recursos semióticos provenientes das distintas modalidades moldadas sócio-histórica e culturalmente para a construção de sentido1. Nesse sentido, é de interesse do analista da argumentação depreender o papel dos elementos linguísticos (como conectivos, figuras e modalizações), imagéticos (como posicionamento, angulação, saliência e vetorização) e gestuais (gestos referenciais, pragmáticos e interativos), para apenas citar alguns, no âmbito da atribuição de plausibilidade às posições, na geração de influência e na gestão do conflito de opinião .


A segunda subpropriedade do sociossemiótico, a discursiva, engloba as coerções representacionais, acionais e identitárias envolvidas na prática de argumentar. Partindo da concepção de Fairclough (2003) sobre o funcionamento social da semiose, entendemos que a argumentação se desenvolve sob as determinações de ordens do discurso, que envolvem padrões sociossemióticos de representar (os discursos), de (inter)agir (os gêneros) e de ser (os estilos, ligados a identidades/posições sociais específicas). Para Fairclough e Fairclough (2012, p. 83, tradução nossa, itálicos dos autores), “esferas sociais, instituições e organizações são constituídas por múltiplas práticas sociais integradas como redes, e a dimensão semiótica de tal rede é uma ordem do discurso,uma configuração de diferentes gêneros, diferentes discursos e diferentes estilos”. Para os interesses da discussão deste artigo, vale destacarmos os discursos, que, como “modos de representar aspectos do mundo que podem ser em geral identificados com diferentes posições ou perspectivas de diferentes grupos de atores sociais” (Fairclough; Fairclough, 2012, p. 82, tradução nossa), alimentam as teses, as premissas e as presunções dos argumentos e consistem na fonte primária de acordos e/ou de desacordos entre os participantes da interação argumentativa2, seja ela monogerida, bigerida ou poligerida.


Por fim, a subpropriedade interativaabarca os aspectos situados da argumentação, ou seja, a configuração local da argumentação no âmbito de um texto, entendido como um evento, uma unidade de sentido em contexto (Cavalcante et al.,2022). Este texto pode ser monogerido, bigerido ou poligerido e envolver participantes com maior ou menor grau de intimidade (dimensão horizontal das relações interpessoais), com maior ou menor grau de diferenciação hierárquica (dimensão vertical das relações interpessoais), sob dadas restrições espaço-temporais e disposições emocionais, tratando de questões específicas e tendo à disposição um dado conjunto de materiais e modalidades. Todos esses fatores, atualizados dinamicamente ao longo da interação, especialmente nas bigeridas e poligeridas, alteram o contexto de ação, requisitando respostas verbais e não verbais adaptadas às novas condições. No que tange à discussão sobre o argumento, foco deste artigo, trataremos apenas da relação entre o interativo e o dialético no âmbito da dinâmica de deslocamento do ônus da prova.

Não cobre todo o artigo.

Fonte...

linhadagua/pt_BR/article/view/221360/204586


Meditação...


 Mateus 5: 33. 

Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor. 

34. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 

35. Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; 

36. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. 

37. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; porque o que passa disto é procedente do mal. 

😮😇







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